‘Tudo indica que a febre amarela voltará, e forte’, diz especialista em imunização

A médica Isabella Ballalai destaca que, caso cobertura vacinal não cresça, a doença provocará novos surtos e há risco de entrar em áreas urbanas, como as cidades de Rio e São Paulo

RIO – Presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai destaca que, sem cobertura vacinal  adequada — que seria de 95% —, a febre amarela tem tudo para provocar novos surtos.

Esta semana, o Ministério da Saúde lançou um alerta , pedindo que a população se vacine antes de dezembro, quando começa o período de maior circulação do vírus. O alerta foi emitido especialmente para as regiões metropolitanas de Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.

Confira abaixo a entrevista de Isabella ao GLOBO:

Por que você acredita que as coberturas vacinais de tantas cidades estão tão baixas?

Este ano, a grande maioria das pessoas deixou de procurar a vacina. Parte disso acredito que se deve à enorme quantidade de “fake news” dizendo que a vacina faz mal ou que mata. Soma-se a isso o fato de, durante a divulgação sobre a necessidade de imunização, sempre batermos muito na tecla de que algumas pessoas, como imunodeprimidos e idosos, precisam de avaliação médica antes. Isso acabou soando errado, como se essas pessoas morressem toda vez que tomassem a dose contra a febre amarela. Não é verdade. Houve somente 60 casos de efeitos adversos graves relacionados à vacina em todo mundo, desde 1930, quando ela começou a ser usada. Em comparação, milhões foram salvos da doença pela vacina. Falar muito sobre os possíveis efeitos adversos da vacina, ainda que extremamente raros, foi um erro, porque ofuscou o grande benefício que é tomar a vacina. Isso afugentou muito a população.

Fonte: O Globo

 

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