Infecção por vírus do sarampo destrói memória imunológica do organismo, aponta pesquisa

Estudo feito por pesquisadores de Harvard encontrou primeira evidência biológica que comprova perda de 11% a 73% dos anticorpos

RIO — Um estudo internacional conduzido por pesquisadores da Universidade de Harvard mostrou que o vírus do sarampo pode apagar de 11% a 73% dos anticorpos de quem é infectado por ele. O resultado do trabalho — publicado nesta quinta-feira na revista Science Immunology — é a primeira evidência biológica para esta situação. Até então, o entendimento de que o sarampo deixava crianças em risco aumentado de outras doenças infecciosas por dois ou três anos era baseado apenas em dados epidemiológicos.

O Brasil vive um surto de sarampo . Apenas este ano, 14 pessoas morreram em decorrência da doença no país, sendo treze em São Paulo e uma em Pernambuco. Dentre as vítimas, sete tinham menos de 5 anos de idade. Como medida para controlar a circulação do vírus no país, e evitar a contaminação de crianças, o Ministério da Saúde indica que bebês de seis meses a um ano tomem a dose zero da vacina tríplice viral, além das outras duas doses já contempladas no calendário vacinal. Crianças, jovens e adultos até 29 anos devem estar imunizados com duas doses. Pessoas com idade entre 30 e 49 anos precisam ter tomado, pelo menos, uma dose.

— O sarampo é muito mais perigoso do que se sabia anteriormente. Hoje, muitas pessoas acham que a doença causa apenas erupção cutânea e febre. Mas, por baixo, o sarampo está na verdade dizimando grandes frações da memória imunológica protetora crucial e isso coloca as crianças em risco de todas as outras doenças infecciosas — alerta Stephen J. Elledge, coautor do estudo e pesquisador do Departamento de Genética da Escola de Medicina de Harvard.

Fonte: O Globo

Compartilhe