“Não consigo encontrar justificativas para os movimentos antivacinas,” diz Dra. Sônia Maria de Faria

Dra. Sônia: o desafio de tornar as vacinas acessíveis a toda a população.

Dra. Sônia Maria de Faria participa nesse sábado (29.09) do XVI Congresso Catarinense de Pediatria, que acontece em Blumenau. No evento, ela profere uma miniconferência com o tema Calendário Vacinal.

A médica é Mestre em Pediatria pela UNIFESP, Infectologista Pediatra do Hospital Infantil Joana de Gusmão de Florianópolis e Professora de Pediatria da UNISUL.

Mesmo com a agenda ocupada do fim de semana, entre outro congresso que acontece no Rio de Janeiro e esse de Blumenau, ela atendeu a reportagem do portal Vacinas Santa Catarina para uma entrevista.

Falou sobre calendário de vacina em todas as idades, desafios na área de prevenção nas redes públicas e privadas, sobre as expectativas do congresso, além do movimento antivacina. “Participar desses movimentos significa ignorar a erradicação de doenças que já foram importante causa de mortalidade, como poliomielite, difteria, tétano e outras,” diz.

Confira na íntegra a entrevista.

VSC – Quais as principais vantagens de as pessoas adotarem um calendário completo de vacina em todas as idades?

A principal vantagem é obter proteção de longa duração contra uma série de doenças. Ao vacinar-se em todas as idades, a tendência é ter o que chamamos de imunidade coletiva, ou seja, proteção ampla da população em geral.

VSC – Qual a sua opinião de movimentos antivacinas que surgiram no Brasil  e no mundo?

É difícil entender o que leva uma pessoa a se engajar em movimentos antivacinas, considerando que os benefícios da vacinação são muito claros e evidentes.

Participar desses movimentos significa ignorar a erradicação de doenças que já foram importante causa de mortalidade como poliomielite, difteria, tétano e outras.

A erradicação dessas doenças só foi possível graças à obtenção de altas taxas de cobertura vacinal. Quando essas taxas de cobertura vacinal caem, temos o risco do ressurgimento de doenças, como o que está ocorrendo com o sarampo no momento, com mais de 60.000 casos na Europa em 2018 e surto no Brasil com aproximadamente 2.000 casos até a presente data.

Dessa forma, não consigo encontrar justificativas para os movimentos antivacinas.

VSC – Qual maior desafio na área na área de prevenção que enfrenta hoje o serviço público e privado de saúde?

Na rede pública, tornar as vacinas acessíveis a toda a população. E para isso há necessidade de flexibilização nos horários de funcionamento dos postos de saúde, que em geral permanecem abertos nos dias úteis até as 17:00h, enquanto a maioria da população trabalha até após esse horário. Esse fator limita a ida ao posto de saúde para vacinação do adulto e da criança, que depende de um responsável.

Na rede privada, o maior desafio e oferecer a um preço acessível as vacinas licenciadas que ainda não estão disponíveis na rede pública. Facilitar a aquisição dessas vacinas.

VSC – Qual a sua expectativa com o Congresso de Pediatria em Blumenau?

A expectativa com o Congresso de Blumenau é ter expressiva participação de pediatras, residentes e estudantes e que os mesmos possam aplicar no seu dia a dia as informações obtidas no Congresso. Que seja uma importante oportunidade de aquisição e troca de conhecimentos, além, é claro, de confraternização entre colegas das diferentes regiões do estado de Santa Catarina.

Site do Congresso:
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Entrevista a Manoel Fernandes Neto, jornalista.

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