Entidades lançam em São Paulo manifesto sobre pólio e sarampo

As sociedades brasileiras de Imunizações (SBIm), Pediatria (SBP) e Infectologia (PNI) — em parceria com Rotary Internacional e com o apoio do Programa Nacional de Imunizações (PNI) — assinam, no dia 26 de julho, no auditório do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo, um manifesto no qual alertam a população, sociedade civil organizada e entes públicos sobre a real possibilidade de retorno da pólio e da reemergência do sarampo em território nacional.

Em 1988, quando a Iniciativa Global de Erradicação da Pólio (GEPI) foi instituída, a poliomielite paralítica atingia mais de 1.000 crianças no mundo diariamente. Desde então, mais de 2,5 bilhões de crianças foram imunizadas contra a doença, graças à colaboração de mais de 200 países e de 20 milhões de voluntários, apoiados por um investimento internacional superior a 11 bilhões de dólares. A incidência global da doença foi reduzida em 99% e apenas três países, Afeganistão, Nigéria e Paquistão, ainda não conseguiram eliminar a circulação do vírus selvagem.

O Rotary International  é um dos fundadores do GEPI, instituição da qual também fazem parte a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Centro para o Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) e a Fundação Bill e Melinda Gates.

No Brasil, o último caso de poliomielite aconteceu em 1989. Em 1994, o continente americano recebeu o certificado de erradicação.

Sarampo

Uma das principais causas de mortalidade infantil no passado, o sarampo foi sendo gradativamente controlado no Brasil graças às políticas de vacinação conduzidas ao longo de décadas, com destaque para o Plano Nacional de Eliminação do Sarampo, de 1992, que tinha como objetivo eliminar a doença do território nacional até o ano 2000. Exatamente no ano 2000, o último caso autóctone — ou seja, não importado nem relacionado à importação — ocorreu no país, no Mato Grosso do Sul. Casos e surtos importados, no entanto, aconteciam eventualmente.

Em 2016, um ano depois do fim do surto importado que atingiu 916 pessoas no estado do Ceará entre 2013 e 2015, o Brasil e as Américas receberam da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) o certificado de áreas livres do sarampo. Em fevereiro de 2018, contudo, a enfermidade voltou ao país por meio do contato de brasileiros não vacinados com pessoas infectadas na Venezuela. Do início de julho para cá, dois grandes surtos no Amazonas e Roraima somam mais de 600 casos. Também houve registros no Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia e São Paulo.

Fonte: SBIM

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