Brasil está na lista dos países com mais casos de sarampo, em subida global de 300%

Os casos relatados de sarampo aumentaram 300% nos primeiros três meses de 2019, comparados com o mesmo período do ano passado, segundo dados preliminares publicados nesta segunda-feira pela Organização Mundial de Saúde, OMS.

O aumento de casos também aconteceu nos dois anos anteriores. O Brasil aparece em 7º lugar na lista dos 10 países com maior taxa de incidência da doença entre março de 2018 e fevereiro deste ano.

Na Europa o surto de 2018 seguiu-se a um ano em que se alcançou a maior cobertura estimada para a segunda dose de vacinação contra o sarampo, cerca de 90% em 2017, by UNICEF

Crise

Segundo a pesquisa, nesses 12 meses foram relatados 10,318 casos no Brasil, o que representa uma taxa de incidência de 46.69 casos por cada 100 mil pessoas.

A Ucrânia, seguida de Madagáscar e Índia, estão no topo da lista de países com maior taxa de casos relatados.

Entre as nações com o maior número de casos no intervalo de setembro de 2018 e fevereiro de 2019, o Brasil surge na quarta posição, com 9.168 casos. Em primeiro lugar está Madagáscar, seguido da Ucrânia e da Índia.

Segundo o relatório, o Brasil não tinha casos notificados da doença em 2017.

Embora os dados sejam provisórios, a OMS diz que existe “uma tendência clara”, que afeta todas as regiões do mundo, e causa muitas mortes, principalmente entre crianças pequenas.

Alerta

Em um artigo de opinião publicado esta segunda-feira na CNN, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, e a diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, Henrietta Fore, disseram que esta é “uma crise global.”

Os representantes lembram o caso dos Estados Unidos, que registrou o segundo maior número de casos desde 2000, e onde a cidade de Nova Iorque declarou um estado de emergência de saúde pública.

Os especialistas dizem que este é, sobretudo, um problema de acesso. Fore e Ghebreyesus afirmam que “a maioria das pessoas vive em países com fracos cuidados de saúde, pobreza e conflito, o que reduz as possibilidades de as crianças serem vacinadas.”

Além disso, eles alertam para a recusa de alguns pais vacinarem os filhos em países de alto rendimento, devido a incertezas sobre a necessidade e segurança das vacinas.

Segundo os representantes, estas dúvidas podem “ser alimentadas pela proliferação de informações confusas e contraditórias online.” Fore e Ghebreyesus dizem que “desonestidade e distorções sobre vacinas não são novidade”, mas que “na era digital de hoje, os mitos podem se espalhar tão rápido e distante quanto um vírus de computador.”

Os dois representantes dão o exemplo do Brasil. Segundo eles, no ano passado, no auge de um surto de febre amarela, “informações erradas sobre a segurança da vacina circularam tão rapidamente online que prejudicaram a capacidade de resposta do surto para controlar o surto.”

Gravidade

O sarampo é uma das doenças mais contagiosas do mundo, e pode ser extremamente grave. Segundo estimativas recentes, a doença causou quase 110 mil mortes em 2017.

Mesmo em países de rendimento elevado, as complicações resultam em hospitalização. Em um quarto dos casos, pode acontecer incapacidade vitalícia, desde danos cerebrais e cegueira até perda auditiva.

Diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore. , by ONU/Loey Felipe

Vacinação

O sarampo é altamente contagioso, contaminando nove em cada 10 pessoas que têm contato com o vírus e não estão vacinadas.

A doença é quase totalmente evitável através de duas doses de uma vacina segura e eficaz, mas a cobertura global da primeira dose parou em 85%. Para evitar um surto, é necessária uma taxa de cobertura de 95%. Segundo a OMS, 25 países ainda precisam tornar a segunda dose parte de seu programa essencial de imunização.

A OMS informa que, depois de realizadas campanhas de vacinação de emergência para 7 milhões de crianças entre os seis meses e nove anos, o número de pacientes está a descer em Madagáscar.

Campanhas semelhantes estão sendo realizadas nas Filipinas, na República Democrática do Congo e no Iêmen, onde a iniciativa deve chegar a mais de 11,6 milhões de crianças entre os seis meses e os 16 anos, 90% da população nestas idades em todo o país.

A OMS afirma que, além de prestar atenção à vacinação e aos serviços de saúde primários, é necessário realizar campanhas de comunicação sobre a importância crítica da imunização e os perigos das doenças que são evitadas.

A agência lembra que os serviços de vacinação devem atender às necessidades de todos, chegando a todas as áreas, nos momentos certos e a todos os grupos populacionais.

Fonte: ONU

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